TRATUTOR

quinta-feira, 21 de março de 2013


PALESTRA do dia 4 de outubro na FISESP

 

Quando falamos da Itália, é preciso lembrar que sua história é muito complexa. Com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, a península italiana perdeu sua unidade política e ressurgiu como Estado nacional somente em 1861. Assim por 1300 anos a península italiana ficou dividida em diferentes Estados que alternavam seus governantes conforme os povos que a conquistavam. Os maiores conquistadores foram os Alemães, Austríacos e Franceses no Centro-Norte, e Normandos, Árabes e Espanhóis no Sul e nas Ilhas.

 

A comunidade judaica italiana veio se formando pela união de vários núcleos judaicos que chegaram ao país em épocas diferentes.

O primeiro núcleo foi constituído por judeus que viviam em Roma e no Sul da península antes da destruição do Templo de Jerusalém no ano 70[1].  O segundo era composto por judeus que foram levados a Roma por causa desta destruição[2].

Um terceiro núcleo formou-se na Idade Media, no norte da Península, com a chegada de dois grupos minoritários: um proveniente de países de língua alemã, dos quais os judeus eram sistematicamente banidos, devido às Cruzadas e à Peste Negra (1348), e outro proveniente da França, em virtude das expulsões decretadas nos anos de 1306 e 1394, e que se estabeleceu nos territórios do Piemontês. A estes dois grupos uniu-se um grupo de banqueiros judeus, provindo do Lazio, Úmbria, Toscana, Marque e Emilia- Romanha, que saiam de seus Estados  devido à uma significativa queda de vida nestas regiões.

No século XVI, judeus sefarditas expulsos da Espanha em 1492, por recusar o batismo, e de cristãos novos, fugitivos do Portugal em 1497 chegaram a Livorno constituindo o quarto núcleo. A estes se juntaram outros judeus sefarditas que, pelas mesmas razões, tinham-se recados nas florescentes comunidades de Amsterdam e Hamburgo, perseguidos pela Inquisição. Estes se dirigiram, a Livorno, no Ducado D’Este em Ferrara, nos Estados de Reggio Emilia e Modena. Para muitos destes sefarditas, porém, a península italiana serviu como ponte para alcançar, mais tarde, outras regiões na costa norte da África e o Império Otomano.

É preciso lembrar também que, com a Revolução Francesa (1789-1790) – movimento social e político ocorrido no final do século XVIII que teve por objetivo principal derrubar o Antigo Regime e instaurar um Estado Democrático -  os judeus europeus adquiriram o estatuto jurídico e assim, muitos judeus do Império Otomano, onde apesar de ser respeitados, eram considerados cidadãos de segunda classe, voltaram para Europa e na Itália constituíram o quinto grupo.

Mias tarde, com a anexação de Triste, Gorizia, Merano e Fiume ao Reino da Itália, em consequência da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), formou-se um sexto grupo de judeus provenientes das diversas regiões da Europa como Áustria, Alemanha, Hungria, Polônia e a Ilha de Corfú.

Com a criação do Estado de Israel, em 1948, e as sucessivas guerras árabes-israelenses, os judeus que viviam nos países árabes há vários séculos, foram obrigados a fugir por serem considerados “inimigos sionistas”. Milhares destes judeus se refugiaram na Itália formando assim um sétimo núcleo. Em Roma se transferiram especialmente os judeus de Trípoli, que possuíam passaportes italianos, conheciam a língua e que por isso conseguiram se integrar facilmente na comunidade judaica local. Em Milão chegaram os judeus egípcios, sírios, libaneses, iraquianos e persas, que acostumados a viver apartados em suas cidades árabes, sentiram dificuldades de se adaptaram ao lugar e à comunidade local e mantiveram seus próprios costumes e rituais, frequentando sinagogas separadas, continuando a falar francês e persa.

 

Características peculiares dos judeus italianos

 

O historiador Amos Luzzatti, afirma que o judaísmo italiano não é askenazita, nem sefardita, tampouco é italiano, mas foi um Kibutz Galuiot, ou seja, um agrupamento de muitas diásporas diferentes que o caracterizou em vários aspectos.

Os judeus italianos, os “remanescentes” como os chama a professora Anita Novinsky, chamam-se EBREI (como somente na Rússia ) e não JUDEI. Foram chamados de ISRAELITI em 1848 enquanto com a emancipação a única diferencia entre os outros cidadãos era a religião de Israel (UCCI). Palavra usada hoje somente no seu significado religioso (UCEI).

Nas falas judeu-italianas encontram-se ambos os termos Ebrei e Judei.

Os sobrenomes dos judeus italianos podem ser nomes de cidades italianas (Milano, Perugia, Campagnano), sobrenomes espanhóis geográficos

(Franco, Segre, Navaro), espanhóis da alta nobreza (Fernandez, Diaz), sobrenomes que foram emprestados para disfarçar a origem judaica dos cristãos novos. Alguns sobrenomes remontam às antigas famílias nobres israelitas da Judeia como os min-há- Zequenin (dei Vecchi, del Vecchio), min-há Anawim (Anav, Anaw, Anau), os min-há- Adumin (de Rossi), min-há- Ne’arim (De Fanciulli) e os min-há- Tappuchim (De Pomis). Temos sobrenomes alemães, alguns  dos quais italianizados (Tedeschi, Esquenazi). Outros derivam de livros sagrados, das profissões, dos verbos etc. Muitos sobrenomes tem brasões de família usados nas Ketuboth, capas de livros, e túmulos, estes brasões não eram usados como símbolos de nobreza mas relativos as profissões exercidas.  

Os remanescentes italianos usam um particular ritual de reza chamado “dos filhos de Roma” (bnei’Romi) e nas sinagogas de rito italiano existe uma disposição bipolar do Aron (arca das Thoras)  e da Thevá (púlpito). Algumas rezas são deslocadas respeito às sefarditas e askenazitas, e os cantos têm uma musicalidade própria.

A pronuncia do hebraico em italiano tem aspectos peculiares, e não era comum o uso da língua íidiche. Os judeus, nas longas épocas dos guetos, falavam o dialeto local ao qual intercalavam palavras hebraicas, dialetos de lugares diferentes dos quais provinham, ladinas, espanholas ou portuguesas (bagitto de Livorno, guetaiuolo de Ferrara e Veneza, romanesco de Roma) constituindo assim grupos de linguagens diferentes ao ponto que os que falavam dialetos diversos não se entendiam entre sim.

O processo de italianização não impediu porém aos judeus italianos de conservar, em parte, as próprias peculiaridades étnicas e religiosas.

 

Surgimento do fascismo

 

A Crise social e política do pós-guerra foi particularmente grave na Itália. Uma onda de agitações sociais entre 1919 e 20 não encontrou um guia político eficaz no partido socialista, dividido em correntes contrastantes.

O movimento que adquiriu maior influencia na época foi o dos Faxes de Combate, fundado em março de 1919 por Benito Mussolini que recolheu extremistas de esquerda e de direta e variados elementos desordeiros.

Com a Márcia sobre Roma, com a aprovação silenciosa do Rei Emanuele IIIº, Mussolini constituiu um governo ao qual participaram alguns liberalistas e populistas.

Entre 1925 e 1926 foram emanadas umas series de disposições que marcaram a instauração de um Estado totalitário fundado em um único partido. E foi criada a figura do 1º ministro, responsável somente para o rei.

1.     Em 11 de fevereiro de 1929, sob o pontificado de Pio XI, foram assinados os pactos de Latrão entre a Santa Se, representada pelo Cardeal Gasparri e Benito Mussolini. Sendo estes uma serie di accordi :un Trattato politico, una Convenzione finanziaria e un Concordato) . Com tudo isso a religião católica tornou-se a ser religião do Estado, sendo restaurada assim a primeira diferencia de direitos civis com os judeus.

 

PORQUE MUSSOLINI TORNOU-SE RACISTA (POR DE FELICE)

 Queria ser racista para conseguir estes objetivos:

 

- dar ao fascismo um dinamismo maior

- conquistar a amizade da Alemanha e de Hitler em particular

- pôr em evidencia a diferença entre o racismo italiano e o alemão: “discriminar, mas

  não perseguir ”.

- regular as posições dos italianos na África para evitar o mestiçado.

 

PORQUE SURGIU O ANTISEMITISMO  (por DE FELICE)

- Porque a tradição católica clássica era ainda viva e as Leis Raciais a reforçaram

- sobre esta tradição inseriu-se uma dupla variante estético - literária - política e de  importação que adquiriu um peso importante.

 

 

PORQUE UM GRANDE NUMERO DE JUDEUS ERA FASCISTA ANTES DAS LEIS RACIAIS.

 

Quando foi feita a Unidade da Itália, iniciada com as lutas do Ressurgimento (1848-1861) às quais participaram os judeus como entusiastas patriotas, os judeus se apegaram ao Estado Italiano e participaram do seu destino.

Este apegamento chegou a assumir até formas de repudio da própria identidade judaica, como se ser judeus demonstrasse não ser completamente italianos e quando surgiu o sionismo os judeus foram completamente contra com medo de serem acusados de uma dupla nacionalidade. (O sionismo era bom para os correligionários da Europa oriental que sofriam perseguições, mas não por eles que tinham uma pátria como a Itália).

Do ponto de vista material, a assimilação levou os judeus a três tipos de comportamentos:

- casamentos mistos

- abjuras

- dissociações das comunidades às quais pertenciam

 

O escritor D. Prato afirma que: “No fim de 1800 a Itália judaica tinha perdido todos os contactos com o judaísmo europeu e mundial, era como um compartimento estagno, um órgão avulso da grande Diáspora  Ocidental e Oriental onde pulsava a vida tradicional e cultural judaica e onde estava surgindo o sionismo Os judeus da Itália, consideravam-se fechado nos limites do país no qual moravam e, inebriados por seus sucessos na política, nas ciências, industrias, artes e jornalismo, iam verso a mais completa assimilação, abrindo a estrada para as gerações futuras ao absorvimento   e à anulação de si mesmos. A voz dos rabinos tornou-se fraca e não saia da sinagoga, dissertada em quase todos os lugares e muitas vezes deixada à vontade dos conselhos administrativos das Comunidades, composta por assimilados e assimiladores.”

 

A estrutura social, que foi característica do judaísmo durante o período da reclusão nos guetos, se desfez rapidamente ao contacto com as instituições liberais. Diminuiu ou desapareceu o sentimento religioso que por séculos tinha constituído um elemento de força e de coesão da comunidade judaica.. Com isso o processo de assimilação generalizou-se no tempo depois de ter se limitado as classe sociais mais elevadas, cultas e ricas.

O antissemitismo era pouco difundido no povo italiano. O antissemitismo clássico é determinado por motivos religiosos e econômicos. Os dois motivos não existiam na Itália: os religiosos porque os judeus não o eram mais ou muito pouco; os econômicos também, porque os judeus eram pouco numerosos e não podiam alcançar grandes patrimônios.

- dispersão dos judeus nos partidos políticos italianos de todas as tendências e, como tal, seus comportamentos verso o fascismo não como judeus, mas como italianos.

 

Quanto ao sionismo:

 

- Mussolini era totalmente contra ao sionismo interno

- Na política exterior era totalmente a favor do sionismo, porque este poderia criar dificuldade no Oriente Médio à Inglaterra.

 

Renzo De Felice

 

PRESENÇA DOS JUDEUS NA ITALIA CONFORME OS DADOS OFICIAIS DOS CENSOS:

 

1911                  32.825

1931                  39.112

1938                  47252

 

IDEM CONFORME DADOS ESTATISTICOS ELABORADOS PELA DEMORAZZA EM 1938

 

CAPITAIS                       J. ITALIANOS  41.224     J. EXTRANGEIROS 7.767                

OUTRAS CIDADES                                    4.137                                         1.975

 

 

Total nas capitais                                           48.991

Total nas outras cidades                                  6.112

Total                                                               55.103

 

Cidades com o maior numero de judeus:

Trieste – Livorno – Roma – Milão – Veneza – Turim – Ancona – Florença – Genova – Ferrara



[1] Judeus já se encontravam na Itália, especialmente em Roma, por motivos comerciais e culturais vindo da Palestina ou da Manha Grécia.
[2] O Imperador Vespasiano e seu filho Tito  trouxeram para Roma milhares de prisioneiros judeus. Alguns foram vendidos como escravos e resgatados pelos próprios judeus que moravam na cidade, enquanto outros se concentraram em Roma entre o bairro de Trastevere e da Ilha Ponentina.  Em honra da conquista da Judeia Tito mandou a construir um arco com inciso os símbolos judaicos, como a menorah e a escrita em latim Judeia Capta. Os judeus nunca passaram debaixo deste arco até a formação do Estado de Israel. Este momento foi um ato muito comovente, especialmente quando sobreviventes do Holocausto passaram de baixo dele.

Algumas miniaturas presentes na Bíblia Hebraica imprimida em Brescia por Gershom Soncino em 1494.


A Itália foi sempre um autentico centro, seja do ponto de vista cultural que geográfico. É aqui que se estabeleceu a primeira comunidade judaica na Europa: a presencia judaica em Roma é precedente à queda do segundo Templo. Os Judeus italianos apesar de não serem particularmente numerosos (nos momentos de maximo esplendor nunca superaram as cinqüenta ou sessenta mil pessoas) se distinguiram por sua extraordinária vitalidade cultural e por sua ampla produção de obras literárias em hebraico sobre os mais diferenciados assuntos: ritualística e arte oratória, filologia, filosofia, cabala e muitas outras disciplinas, além de, naturalmente, a poesia e a teoria poética.

 

Na Itália se encontra um verdadeiro tesouro de manuscritos hebraicos: tipografias judaicas surgiram já no séc. XV, na época dos incunábulos, em Bologna, Mantova, Soncino, Napoli, Brescia. Nas tipografias de Veneza (desde 1517), de Padova (desde 1562), de Mantova e, mais tarde, naquelas de outras cidades foram impressos milhares de livros, desde pequenos fascículos e folhetos até obra muitos importantes, como as publicações da Bíblia com os principais comentos medievais, do Talmud e do Zohar, destinadas estas últimas a serem consideradas como edições de referencia.

 

De 1200 até 1600 os livros que saíram das mãos dos judeus italianos, antes manuscritos e depois estampados, constituíram um desejado tesouro para cada família judaica; a partir de 1700 tornaram-se umas importantes propriedades  das maiores livrarias publicas  e particulares do mundo.

Entre as várias manifestações artístico-literárias que acompanharam o ressurgir da civilidade italiana, e que tiveram seu berço nas maiores cortes da Itália, a bibliofilia constituiu a paixão artística dominante para os judeus.

O escriba entre os judeus não era o simples experto de caligrafia, o copista servil come se encontrava entre os romanos e na baixa Idade Media, ele considerava a si mesmo como o propagador da sabedoria dos livros sagrados e dos comentários e para ele o ato de copiar um livro correspondia a uma espécie de exercício espiritual.

Conforme o conceito judaico, os amanuenses e os primeiros estampadores  foram personagens que tinham o mesmo valor. As obras dos dois eram consideradas um trabalho sagrado e para diferencia-los se dizia, poeticamente, que  a estampa era a arte  de escrever com muitos lápis.

 

Em 1475, trinta e cinco anos depois da invenção alemã dos caracteres de estampa moveis, apareceram na Itália os dois primeiros livros hebraicos imprimidos; estes foram impressos respectivamente a Reggio Calábria, por obra de Abraham bem Garton e outro a Piove di Sacco, perto de Padova, por obra de Meshullam Cusi.

 

Entre as centenas e mais obras hebraicas publicadas na Itália em 1500 o nome dos Soncino aparece em pouco menos do que da metade.

A família Soncino provinha de Spira, na Alemanha; na metade de 1400, um dos seus membros emigrou para a Itália e pouco depois conseguiu a autorização para abrir um banco em Soncino, perto de Cremona. O banco floresceu e o banqueiro adotou o nome de sua nova residência como sobrenome. Na segunda geração desta família se salientou Israel Nathan que, além de trabalhar no banco, exercia a profissão de medico e tinha uma grande cultura em campo hebraico. Em 1478 a abertura de um dos Monti di Pietá em Soncino (bancos de empréstimo sem juros, fundados pela Igreja para concorrer com os bancos judaicos) provocou o encerramento do banco judaico; dois anos depois o medico-banqueiro decidia de abrir com os filhos, Mosé e Josuá Salomon, e os netos uma gráfica. Desta saíram entre 1483 e 1490 a Bíblia, uma serie de tratados do Talmude, o Machzor, conforme o rito italiano, e outras obras todas curadas nos mínimos detalhes seja nos textos que na apresentação. Depois da morte de seu fundador, que aconteceu em 1489, o nome e o emblema dos Soncino peregrinaram de uma cidade a outra: Brescia, Barco, Veneza, etc.

 

Gershom Soncino, filho de Moisé, foi considerado o maior impressor judeu de todos os tempos. Depois de uma tentativa de estabelecer-se em Veneza acabou ficando no centro da Itália entre as Marche e a Romagn.

 

A Bíblia das quais são reproduzidas algumas paginas fazem parte da terceira edição que saiu de sua gráfica em Brescia no fim de abril de 1494 (19-25 do mês judaico de Siwan). Esta consiste de 586 folhas imprimidas sem paginação com o texto distribuído sobre vinte e seis  linhas por pagina, com os Salmos em duas colunas. O numero dos salmos é de 149, enquanto alguns são unidos em um só e outros divididos em dois. Os caracteres escolhidos por Soncino são parecidos com os que eram usados nas precedentes edições de textos bíblicos, mas menores, ou seja as letras são similares ás grafias quadradas de tipo italiano com influxos sefarditas.

Foi esta a edição hebraica, usada por Lutero na sua tradução da Bíblia em alemão. Alguns pensam que ele a escolheu por a qualidade da recensão que ela continha, outros por sua maneabilidade, tendo esta um formado de bolso.

 

 Anna Rosa Campagnano                                           

 
 

 

Bibliografia

 

La Bibbia Ebraica Soncino de Brescia del 1494 em Os judeus a Castengandolfo – textos organizados por Mario Perani – Ed. Giuntina Firenze, 1998, pp. 143; 145 e tav.2; 3; 5; 9.

 

 


Tab.2 – Brescia, Biblioteca Queriniana, Bibbia ebraica Soncino, 1494, Baroncelli, Incun. N. 173, primeiro exemplar: friso com uma miniatura de outra mão, representante a oferenda de um sacrifício sobre o monte de Jerusalém. 

Tab.3 –  Brescia, Biblioteca Queriniana, Bibbia Ebraica Soncino, 1494, Baroncelli, Incun.

N. 173, primeiro exemplar: ornamentação policroma da pagina inicial de Números, com uma figura de carneiro acocorado sobre um altar. 

Tab. 4 – Brescia, Biblioteca Queriniana, Bibbia ebraica Soncino, 1494, Baroncelli, Incun.

N. 173, primeiro exemplar: ornamentação em policromia e ouro da pagina inicial do Deuteronômio. 

Tab. 5 – Brescia, Biblioteca Queriniana, Bibbia ebraica Soncino, 1494, Baroncelli Incun.

N. 173, primeiro exemplar: frisos e ornamentação com motivos floreais da pagina inicial do Cânticos dos cânticos, com a representação da mulher-amante adormecida, rodeada por lírios e  campânulas. 

Tab. 9 – Brescia, Biblioteca Queriniana, Bibbia ebraica Soncino, 1494, Baroncelli Incun.

N. 173, primeiro exemplar: frisos em policromia e ouro nos margens ao redor da folha inicial dos Salmos; na pagina  branca, ao lado, um outro artista representou os instrumentos musicais do saltério.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

Na Sicilia, depois de 500 anos renasce uma comunidade judaica

Da revista Il Venerdì di Rebublica n. 1159- 04/06/2010 – Texto de Paolo Casicci
 

Quando o rei espanhol Ferdinando de Aragon expulsou os judeus, o edito estendeu-se ao Sul da Itália, sob o domínio dele (Calábria e Sicilia)
 

Os judeus foram expulsos da Sicilia pela Coroa Espanhola em 1492, mas muitos ficaram e se converteram (o fingiram de fazê-lo). A Sicilia não teve mais uma comunidade judaica, mas não por isso os judeus desapareceram. Os que ficaram apesar de convertidos oficialmente ao catolicismo, continuaram a praticar o judaísmo a escondida. Isto explica as formas de sincretismo que sopraviveram  até o fascismo, entre os descendentes que , muitas vezes desconheciam a existência dos conversos A Siracusa muitas famílias acendiam velas na sexta a tarde... praticamente faziam um shabat

Agora, depois de muitos anos, um Homem voltou dos Estados Unidos. É o primeiro rabino da era moderna: Isaac Bem Abraham, civilmente Stefano Di Mauro. A volta deste medico de setenta e dois anos parece uma reconquista. A reconquista judaica da Sicilia.

A Cassibile, na província de Siracusa, o rabino celebrará as primeiras vinte conversões dos descendentes de famílias judaicas. Ele é a primeira guia espiritual dos judeus de Sicilia desde 1492 e logo organizará uma escola rabínica.

Da Torah, ele diz, amo especialmente este trecho: aquele que autoriza um soldado, longe de Israel devido à guerra, a casar com uma gentil. E para Stefano Di Mauro devem ter parecidos como muitos soldados estes judeus do Sul longe da Israel por cinco séculos. 

 
Di Mauro deixou a Itália em 1981 e tornou-se rabino (ortodoxo) em Miami, dez anos mais tarde. Tem chegado ao judaísmo do catolicismo. Sua mãe, em ponto de morte contou-lhe que a deles era uma família de judeus. Depois de ter falado com sua avó, para confirmar quanto contado por sua mãe, esta ficou sem palavras: ninguém deveria ter conhecido esta historia.

 

 

quinta-feira, 3 de março de 2011

SOBRENOMES HEBRAICOS ITALIANOS COM BASE TOPONOMÁSTICA ESTRANGEIRA

Sabe-se que os nomes das famílias hebraicas italianas são na sua maioria formados por nomes das localidades de origem, que tornaram-se sobrenomes, na segunda metade do século XV. Esta situação não era uma exclusividade  dos grupos hebraicos porque alguns sobrenomes cristãs tinham a mesma caraterística, mas entre os hebreus esta peculiaridade sobressai pela escassez de raízes diferentes de sobrenomes devido a exiguidade dos núcleos e a uniformidade das estruturas sociais deles.
As comunidades judaicas expostas neste artigo são as do centro e as do norte da Itália,  por causa que os judeus foram expulsos, entre o fim do século XIV e o começo do XV, do sul do pais e das ilhas e nunca mais voltaram se não em tempos recentes e em quantidades mínimas.
Estas comunidades hebraicas italianas do centro-norte formaram-se pela confluência de três correntes migratórias: a primeira no fim do seculo XII de Roma ; a segunda, no mesmo secúlo, da Alemanha; e uma terceira, menor das outras, da França que estabeleceu-se principalmente no Piemonte.
Às três correntes junta-se, entre 1492 e 1497, aquela formada pêlos judeus serfaditas  expulsos da Espanha e do Portugal.
As varias etapas destas migrações espelham-se nos sobrenomes:- ao nome próprio de cada indivíduo põe-se ao lado a indicação da ultima proveniência, ou seja o lugar de origem da família .
As tabelas que seguem contem só os sobrenomes hebraicos -italianos com base toponomástica estrangeira ou seja de origens alemã, francesa e ibérica. Entres estes últimos estão incluídos os sobrenomes derivantes dos países da diáspora sefarditas depois das expulsões da península ibérica (Balcãs, Grécia e Turquia).
Juntara-se a estas tabelas um elenco de sobrenomes  derivantes de algumas localidades que não fazem partes das três categorias mencionadas.




Sobrenomes, italianizados, de origem alemã:

Alemanno
Aschenazi
Alpron
Amburgo
Basilea
Básola
Biel ou Brieli
Clava ou Clor
Cracovia
Dina
Frageste ou Fraista
Katzenelnbogen
Luzzatto
Minz e Levi Minzi
Moravia
Morpurgo
Norlenghi
Olmo
Ongaro
Polacco
Polonia
Praga
Spira
Strassburg
Tedeschi, Tedesco, Todeschini,
Treves
Vaila

Sobrenomes de origem francês:
Ambron
Arli

Balmes
Bedarida
Cabiglio ou Chabilio
Carcassone
Carmi ou Carmini
Carvaglio ou Caravaglio
Cavaglione
Chinon
Cuzzi
Diena
Egra
Foá ou Foa ou Fuá
Francese
Franchetti
Franchetta Hararí
Galli
Gallico
Jena ou Jenna
Lampronti
Lattes
Lunello
Migliau
Momigliano
Montel
Mornas
Nantua
Narboni
Nizza
Parigi
Poggetto
Provenzali
Romilli ouRomelli
Sarfatti
Segre ou Segré
Sestieri
Sullan
Tolosa
TrabottiTrabotti GallicoValabrega
Valobra


Sobrenomes de origem ibérica:
Albuquerque
Alcostantini
Algranati
Almansi ou Almanzi
Almeda e Franco d’Almeda
Alvalensi, Valensi, Valensin
Ara
Blanis
Campos
Cases
Castelan
Cattelan
Cordovero
Costa ou da Costa
Ce Leon
De Mora
De Paz ou De Pas
Del Rio
Della Vida
Errera
Farro
Ferro
Franco d’Almeida
Franco de Miranda
Ghiron
Ghirondi
Guetta
Lusena
Medina
Miranda
Montesinos
Navarra ou Navarro
Palma
Pardo
Pereira
Rubbio
Rubello
Sefardi
Soria
Toledano
Turchetto
Usque
Vais Villa Real
Valensi ou Valensin
Vega d’Almeda
Zamorani


Sobrenomes derivados de outras localidades:
Barcat
Boccara
Calabi
Candia
Coen Hemfis
Corfú
Da Fes
Fernandez Africano
Londin
Malta
Modon e Coen Modon


REGISTRO DE UM MOHEL PIEMONTÊS DE 1789 ATÉ 1837

REGISTRO DE UM MOHEL PIEMONTÊS DE 1789 ATÉ 1837


A família Reinish de Veneza conserva um manuscrito hebraico dedicado ao tema “circumcisão”. No artgo que segue, depois da descrição do manuscrito, está publicado um registro de oitenta e nove circumcisões feitas pelo mohel Israel de Avraham Refael Artom de 1789 a 1837.
O manuscrito consiste  em um registro de papel, com 59 folhas sem numeração, medindo mm 130x208, com texto de extensão mutável e número variável de pautas por página. Foi escrito em Piemonte por, no minimo, duas pessoas diferentes. O manuscrito, em estado de boa conservação, contém o brasão da família Artom em cores, é encadernado em couro  com decoração floreal impressa em ouro. Contém uma receita médica em italiano :-
“Composizione d’acqua stringente.....obtida pelo cirurgiaõ Prof. Gualandi Biella
e algumas provas de ortografia para escrita cursiva hebraica italiana e em letras de forma. Contém, também, reflexões cabalisticas sobre o sentido da circumcisão, rezas dedicadas ao mohel e ao padrinho, outras receitas e conselhos médicos em hebraico e italiano.
Sobrenomes de famílias judias, que constam no registro das circumcisões de Israel Artom, residentes nos lugares indicados no mapa do Piemonte :-



Artom
Artom     di Casale
Ben - Zion
Bo’az
Chajim
Chizqijáh
Coen
Coen    di Moncalvo
Debedetti
Debenedetti
Donati    di Asti
Foá
Jarach
     Katz     di Casale
     Katz      di Moncalvo
Kezighin
     Levi       di Carmagnola
     Levi        di Mondoví
Levi Belinsi (?) di  Algeri
Livnin
Luzzatti
Luzzatto
Montalcini
    Ottolenghi      di Acqui
    Pugliese          di Vercelli
    Pugliese          di AlessandriaSegre
    Segre              di Casale
    Segre              di Saluzzo
    Segre              di Vercelli
    Shímson
    Terracini
Treves
Valbrega


OS JUDEUS EM URBINO DESDE AS LEIS ANTI-JUDAICAS ATÉ A LIBERAÇÃO (1938-1944)

A pequena comunidade de Urbino é sobrevivente da decadência  do 1600/700, depois de uma época florescente entre os séculos XV e XVI “ quando  para os judeus esta cidade  representava uma segunda Jerusalém, em Itália, depois de Ferrara “.Quando foi constituído o ghetto , em 1633, os judeus de Urbino eram 369 e as famílias 64 (Ebrei a Urbino, M.L.Moscati Benigni),  e em 1718 as condições miseráveis de vida tinham reduzido a população do gueto a somente 200 pessoas, a maioria das quais mulheres idosas e crianças incapazes de se sustentar.
Conforme documento do  Arquivo Comune de Urbino no censo de 1853, os judeus eram 147, distribuídos em 31 famílias e 22 casas.
Depois da Unidade da Itália (1861) e a relativa emancipação, muito forte era a ligação dos judeus com a cidade em que alguns deles tinham conseguido uma condição social e econômica importante, participando, também nas atividades politico-administrativas.
R.Bachi  (no seu livro: La demografia degli ebrei italiani negli ultimi cento anni) aponta uma diminuição do número de judeus que eram 161 em 1869, 38 em 1931, e que foram reduzir-se a poucas famílias, objeto do censo nazista, em 1938. Esta diminuição é devida a migrações internas em direção ao centro-norte da Itália para  procurar melhores possibilidades econômico-comerciais, profissionais e de  aprendizagem .
Em 16 de agosto de 1938, o prefeito de Pesaro-Urbino ,Introna, enviou ao podestá  Paci em Urbino, uma carta confidencial em que requeria uma lista dos judeus residentes na cidade.
A lista completa dos censeados por chefes de familia, dos quais são especificadas as profissões, é a que segue:-


ASTROLOGO Ricca                                              Prenda domestica
BEMPORAD    Momolo c.f.                                  Artesão
COEN Angelo c.f.                                                  Dono de terra
COEN  Eugenio c.f.                                                Dono de terra
COEN  Renato                                                        Advogado
MOSCATI Alessandro c.f.                                     Guarda da sinagoga
MOSCATI Angelo c.f.                                           Dono de terra
MOSCATI Arturo c.f.                                            Dono de terra
PERUGIA Eva       c.f.                                           Dona de terra

Com um total de 29 pessoas

RELAÇÃO DOS NOMES CONTIDOS NA RUBRICA DOS ISRAELITAS DO ARQUIVO HISTÓRICO CÍVICO DE MILÃO

RELAÇÃO DOS NOMES CONTIDOS NA RUBRICA DOS ISRAELITAS DO ARQUIVO HISTÓRICO CÍVICO DE MILÃO

 
RELAÇÃO DOS NOMES CONTIDOS NA RUBRICA DOS ISRAELITAS DO ARQUIVO HISTÓRICO CÍVICO DE MILÃO

Os Judeus expulsos definitivamente do Estado de Milão, em 1597, voltaram para a cidade em numero significativo só a partir do inicio  do sec.191800 : por este motivo,  a descoberta de material documentando  tal emigração se reveste de particular importância.
No Arquivo Histórico Milanês foi achado um documento muito interessante :  uma rubrica com nomes de judeus residentes  em Milão desde os primeiros anos do 1800 e continuamente atualizada até  alguns anos depois da Unidade da Itália (1861). Está catalogado nesta, em ordem alfabética, cada núcleo familiar, conforme o sobrenome do chefe de família, especificando para cada indivíduo paternidade, maternidade, data e lugar de nascimento, período de residência em Milão, profissão, status e, às vezes, a data de morte.
A lista inclui também notas concisas sobre a posição no Registro Civil de cada indivíduo, seu comportamento moral, profissional e outras informações. Este documento, é na realidade, uma das mais antigas fontes que serviu para redigir, depois da Restauração e a conseqüente reativação de medidas discriminatórias contra os judeus, esta lista que registra os membros da comunidade hebraica.
O governo austríaco, sob cuja dominação achava-se o Estado de Milão, conservando para si o  Registro geral da população   e após corrigido as imprecisões, delegou para os ministros do culto católico  as registrações oficiais de nascimentos, mortes e casamentos. A partir de 1815, também aos Rabinos foi imposto de ter registros dos movimentos da comunidade judaica, dos casamentos e das eventuais mudanças de locação, tendo que dar conta de tudo isso cada três meses. Assim, o Registro geral da população (Ufficio del Ruolo) tinha, além da lista normal,  uma lista especial para os judeus. Estas listas, a partir do 1824, passaram sob o direto controle da direção da Polícia. A organização manteve-se inalterada até  1 de janeiro 1866 quando entrou em vigor o Código Civil  do Reino da Itália que revia todo o material documentado.
“La Rubrica degli Israeliti “, lista dos judeus, é muito importante em quanto única testemunha a provar a presença judaica em Milão que, antes  do 1820, era constituída só da uma lapide sita no jardim da igreja “ del Fopponimo “ na praça Aquileia, que tinha, entre os nomes dos benfeitores, os nomes  de dois judeus que fizeram doações em 1808 e 1828.
A lista que, por problemas de espaço, publicamos reduzida, relaciona  os nomes dos chefes de família e várias informações relativas às  pessoas domiciliadas e também nascidas na cidade em 1820. Preciosas são também as informações relativas aos números e às características das conversões, às profissões e aos lugares de proveniência.


 
Ariani Lederer
Leonino
Levi
Levis
Lichtenstern
Lieberman
Lolli
Lombroso
Loria
Lowemberg
Lowengard
Luzzatto
Luzzi
Maroni
Mondolfo
Moser
Massarani
Moskowicz
Muggia
Mendel
Montagnana
Milla
Munster
Norsa
Namias
Neuburger
Nizza
Neustaedter
Nachman
Olivette
Orefici
Ottolenghi
Ovazza
Pavia
Aron
Artom
Ascoli
Graziadio
Bacchi
Bambergi
Baruch
Basevi
Basilea
Bassani
Bassani Miracolo
Bassani vita
Bassano
Benedetti
Beruheim
Blum
Boch
Braitner
Calabi
Calabi vitale
Camis
Carmi
Carpi
Cavaliere
Chon
Civita
Clava
Coen
Coen Pirani
Cohen
Colombo
Colonia
Colorni
Cravus
Cuzzi
D’Ancona
D’Italia
Dach
De Angioli
De Benedetti
De chiares
Debora
Dina
Errera
Escorvitz
Fano
Finzi
Flechman
Foá
Formiggini
Forti
Frizzi
Fuchs
Gallizier
Grego
Guastalla
Hanau
Iaré
Iung
Karpf
Knappa
Kohn
Kandi
Lattes
Lattis
Lebrecht
Lebrecht
Lederer
Leonino
Levi
Levis
Lichtenstern
Lieberman
Lolli
Lombroso
Loria
Lowemberg
Lowengard
Luzzatto
Luzzi
Maroni
Mondolfo
Moser
Massarani
Moskowicz
Muggia
Mendel
Montagnana
Milla
Munster
Norsa
Namias
Neuburger
Nizza
Neustaedter
Nachman
Olivette
Orefici
Ottolenghi
Ovazza
Pavia
Pesaro
Pisa
Polacco
Pugliesi
Romanelli
Rosenfeld
Rocca
Raccá
Romano
Ravá
Rimini
Rovere
Sforni
Susani
Sinigaglia
Singer
Sacerdoti
Segré
Spindler
Susani
Schiff
Sommer
Schwatz
Scherp
Simeles
Schwartz
Spitzer
Schlesingher
Sanguinetti
Subert
Todros
Treves
Turnauer
Tedeschi
Trenk
Tedesco
Todeschini
Teglio
Vitali
Ventura
Vita
Valmarini
Viterbi
Wilheim
Weiss
Weil
Schott
Zamorani